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BRASIL, SAO PAULO, SANTO ANDRE, Homem, de 26 a 35 anos



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Permanência


Seja a estrela que me visita antes do amanhecer
A linha curva planejada para sua chegada
Cruza os carinhos de meus braços,
Rastros e poeiras, deixai-os aos céus,
Cá em mim, beijos aguardam seus lábios.

Na intermitência da noite,
Vem transformar meu cotidiano,
Me acorde de um sonho,
Me leve de encontro à outros.

Na alegre presença de seus olhos,
visto a alma de meus dias,
com a paz que somente a tua luz consegue me dar.

Escrito por Alê às 23h11
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Em casa

Mais fotos do Enzo: http://fotopia.nafoto.net/ 

Escrito por Arturo (Duo Chá pra Dois) às 13h36
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Oi pessoal!
 
Foi uma correria danada e tudo está diferente desde a madrugada de 07 para 08 de março.
 
Primeiro fomos avisados pelo médico que a Adri estava com pré eclampsia (pressão alta durante a gravidez)  Era preciso fazer uma cesárea com certa urgência, pois ela e o Enzo corriam riscos de algum problema, caso o parto fosse de forma natural.
Então 3 semanas antes do que a gente previa, foi marcada a tal operação. Apesar de tudo estar praticamente preparado, a ansiedade e a correria foram inevitávies.
Fomos ao hospital às 07 da noite do dia 07 de março.
As pulsações do Enzo estavam bem abaixo do normal e a Adri ficou em monitoramento fetal até a hora do parto.
O médico, que estava fazendo um outro parto em Santo André, só chegou à 1:00 da manhã. A Adri foi pra sala de operação e eu pude acompanhar tudo sentado na cebeceira da maca. Nem precisa falar do nervosismo né...
De repente o médico pede pra que eu coloque as luvas de borracha e me oferece para cortar o cordão umbilical. Me levaram à frente da mesa e já pude ver a cabeça do Enzo apontando.
 
Nesse momento tudo parecia distante e naquele local era somente a Adri, o Enzo e eu. Senti o corpo leve a as vozes dos médicos, anjos pra falar a verdade, bem ao longe. Escolhemos uma música linda, que os médicos puseram no CD da maternidade, e então aquele som maravilhoso do chorinho do Enzo começou a invadir a sala. Primeiro baixinho e à medida que aumentava, nossos corações pulavam cada vez mais forte. O médico que fez o parto me orientou no corte do cordão.
Posso dizer que aquele foi o momento mais emocionante de minha vida. Na hora em que se desconecta esse laço tão importante entre mãe e filho, ocorre uma pequena pausa na respiração do bebê. Pude perceber claramente isso quando cortei o cordão. Logo em seguida, ele começou a respirar por conta própria, para crescer, nos ensinar, viver enfim, seu destino.

 

Logo após a cirurgia, a enfermeira levou o Enzo para a Adri vê-lo pela primeira vez. Era impossível conter o choro de nós três.
Por causa do peso de nosso pequeno, ele ficou alguns dias no berçário da UTI.
 
A Adri, sem se preocupar que acabava de sair da cirurgia, ia caminhando todos os dias, 4 vezes para alimentá-lo com seu próprio leite. O esforço dela foi recompensado e o Enzo já mamava puro leite no terceiro dia. Ganhou peso e pôde ser liberado com a gente aqui pra casa.
Hoje, em seu sexto dia de vida, ele está com 1,940 gramas e 45, 5 cm. Acabamos de vir do pediatra. 
Ele está perfeito e pronto pra nos fazer sorrir diariamente, por sua existência abençoada.


Escrito por Arturo (Duo Chá pra Dois) às 01h44
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Nasceu no Dia 08 de Março de 2006 (em homenagem às mulheres) meu primeiro filho.

Não consigo descrever a alegria daquele momento, onde o mundo parou e só podíamos ouvir o chorinho dele quase dizendo:

Aqui estou mamãe! Aqui estou Papai!

Estamos muito felizes e obrigado pelo carinho de todos que nos visitaram, seja aqui, no hospital ou que ainda vão nos ver lá em casa.

Um beijo grande!

Arturo Alê, Adriana Naomi e "Enzo Kenity Uchida Dinardo"



Escrito por Arturo (Duo Chá pra Dois) às 14h39
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Ser pequeno

Pequeno ser,

pulsando aceleradas batidas

no ventre de nosso amor

olhos pequenos, abertos ao mundo.

 

Pequena força de nossas metades,

não se recolha ao chorar,

mostre suas vontades

venha com a gente brincar.

 

Bem vindo ser, nada ainda,

Seus contornos, nossas misturas.

Pular e correr, aventuras,

Rir de suas travessuras.

 

Quem eu amo te oferece o seio,

sua vontade traduz.

Receba o alimento, encontre essa luz.

Sinos da igreja tocaram,

sonhe com anjos amigos,

Da leve nuvem branca,

de onde veio você.


Escrito por Arturo (Duo Chá pra Dois) às 16h53
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Enzo



Escrito por Arturo (Duo Chá pra Dois) às 16h50
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Brasa Adormecida

Somos poluição sonora aos ouvidos anciãos,

Visão escarlate aos olhos daquelas que se dizem donzelas,

Às vezes envoltos em filosofias,

Às vezes mentes vazias.

 

Ora como numa estória hilária,

Ora no silêncio do vácuo espacial.

De acordo com as fases Lunares,

Lunáticos.

 

Somos dos tipos que pertencem às portas fechadas,

Se entrecruzam olhares, com um sorriso pequeno que desponta dos lábios.

Nosso hálito revela a impureza dos sonhos,

e de sonos intercalados de amor.

 

Nesses instantes encontro-me apto

A ouvir sua voz invadir o ambiente,

Te sentir como se meu corpo estivesse Doente,

Noite inteira a te observar,

Sentado ali naquela cadeira.

 

Esta doença vem a mostrar

que lá fora pássaros negros sobrevoam a cidade,

nos dando a certeza que momento algum seria mais adequado

Que simplesmente o agora.

 

Ao final o som quer ocupar mais espaço,

Num abismo de calor delicioso,

A atmosfera é invadida por formas luminosas.

Nítidas horas no início de um novo dia.

 

Voltam ao lar as donzelas,

Acordam os anciãos,

A lua se apaga,

sobre brasas ainda acesas.



Escrito por Arturo (Duo Chá pra Dois) às 14h35
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Esses dias estou...

Lendo: "Memórias de minhas Putas Tristes" de Gabriel Garcia Marquez.

Ouvindo: Bossa Nova com Filó Machado e Denise Codonho, Jazz com Miles Davis, Django Reinhardt e Pat Metheny 

Assistindo: Filmes e documentários Brasileiros

Fazendo: Novos amigos

Cultivando: Violetas e Orquídeas

Esperando: O nascimento de nosso filho Enzo.

Se você mora em Sampa, aqui vai uma dica super bacana pra esse fim de semana. A Casa das Rosas, que fica na Av. Paulista, 37 tel. 3285 6986 vai realizar uma série de atrações, na madrugada de sábado pra domingo. Veja só:

03:00 - 05:00 - Recital de Poemas e Contos de Edgar Allan Poe, E.T.A. Hoffmann, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos e outros poetas das sombras

05:00 - 06:00 - Teatro Pós-Balada: Jardim das Delícias - os espectadores são convidados a comer com a companhia de teatro Bendita Seja

06:00 08:00 - Café com poesia.

O evento faz parte da Virada Cultural, que traz 24 horas de Cultura Grátis pro povo de São Paulo. Se você for...a gente se vê por lá!

Beijo, Arturo.



Escrito por Arturo (Duo Chá pra Dois) às 10h53
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Omni Chuva Pós Psy

Temo pelo dia correndo solto, derretendo minha vida, 
Como se passasem as horas, esboçadas em algo já nascido incompleto.
Correm minutos, mas o tempo é o mesmo.
Te odeio ó tédio,
odeio-te tédio, até que o dia seguinte eu venha te odiar.
Rodeio-me inteiro, corroem-me os sentidos, nulos em tua falta, sentidos em tua espera.
No tempo indesejado, te esperei por toda vida, por que não agora¿

Espelhos da alma lançados à procura de um mundo, lavando-se na noite que chora lá fora.

Cancerígeno, venenoso, violento, 

porém mundo que não se mostre assim tão lento.

Acelerado, explosivo, barulhento, 

dançando na chuva, contrário ao vento

Ritmo leve,

leve-me longe deste cimento,

Mesmo que curto, todo este momento.



Escrito por Arturo Alê às 17h52
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Quando Nietsche chorou.

Ontem roubaram o rádio de meu carro, uma bolsa com alguns apetrechos de música, MD's de nossas composições, além de um livro do Friederich Nietsche, que dá o título à este Blog. O lado positivo é a esperança de que o ladrão leia este livro, ouças as músicas e que esta aquisição de cultura, se assim podemos dizer, consiga absorver seu tempo, converta-o em algo útil e ele desista desta vida. Por outro lado, meu medo é que ao ler o livro, - caso ele ainda não conheça Nietsche - venha a descobrir uma realidade ainda mais cinza daquela vivida até o momento do roubo. Que consequências isto poderia gerar?

By Arturo, num feriado vazio.

 



Escrito por Arturo Alê às 14h22
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Litera Musica

Diariamente atrasado pro trabalho
No fone de ouvido me grita Ed Mota
"- Sai dessa vida idiota".
Não nasci pro batente
Mas quem é que segura essa barra?
No trem um camelô me esbarra,
E com riso perturbador segue o corredor
Ri de minha tragédia diária.

Na memória, perdidas as contas, das contas à pagar,
No bolso da camisa uma foto onde você sorria,
um bilhete de loteria e aquela poesia.
Que sucesso ela seria!
No suingue de Benjor, ou na voz de Belchior

Na rádio se ouviria esta canção da boa vida.

Já no escritório, verdadeiro laboratório,
Somos cobaias, em busca de um salario irrisório,
Não há Leminski,
muito menos Lenine,
pra nos dizer bela prosas e

cantar melodiosas canções

Se rodo o baleiro logo me vem a solução: 
"- Demita seu patrão!"

Menos um ponto no cartão

mais um dia de paixão,

menos um dia de pão.

Mais um vagabundo,

solto nesse mundo

Prisioneiro do dilema,
contido nesse poema.  

Alma, chama acesa

nos holofotes da vida sem nobreza.

 

by Arturo & Wendy



Escrito por Arturo Alê às 16h04
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São tantos os tatos daqueles com quem me deito

Que guardo em meu peito as sobras dos atos

Mesmo dos que rejeito.

 

Eu te amaria se às vezes não odiasse

o vácuo noturno onde te escondes e

deixas de contemplar a sede que tenho de ti.



Escrito por Arturo Alê às 18h13
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Meu exagero se explica pela freqüência que observo reações estúpidas e medrosas, e por você nunca querer ouvir a mesma música que eu.

 

A inconstância do amor, a fragilidade de nossos corpos, a falsidade nas relações sociais, os compromissos da amizade, os efeitos mortais da monotonia, do hábito.

 

Tanto a se fazer no mundo e os seres humanos cada vez mais se dedicam à arte da infelicidade.

 

 

Deveria ser suficiente pensarmos que somos humanos e que a morte pode chegar esta tarde.

Tendo aberto mão da crença na nossa própria imortalidade, seríamos então lembrados de uma série de possibilidades nunca experimentadas.

 

Entretanto, enquanto o cataclismo não acontece, nós não fazemos nada disso, porque estamos de volta ao seio da “vidinha normal”, negligenciamos os desejos, e corremos em torno de nós mesmos, sem notar que ao redor tudo é superiormente magnífico.



Escrito por Arturo Alê às 19h46
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Por que o Budismo encanta o Ocidente?



Frei Betto *

O budismo faz tanto sucesso no Ocidente porque possui características que correspondem às tendências da pós-modernidade neoliberal. Num mundo em que muitas religiões se sustentam em estruturas autoritárias e apresentam desvios fundamentalistas, o budismo apresenta-se como uma não-religião, uma filosofia de vida que não possui hierarquias, estruturas nem códigos canônicos. No budismo não há a idéia de Deus, nem de pecado. Centrado no indivíduo e baseado na prática da yoga e da meditação, o budismo não exige compromissos sociais de seus adeptos, nem submissão a uma comunidade ou crença em verdades reveladas. Há, contudo, muitos budistas engajados em lutas sociais e políticas.
Nessa cultura do elixir da eterna juventude, em que envelhecimento e morte são encarados, não como destinos, mas como fatalidades, o budismo oferece a crença na reencarnação, hoje abraçada por Norman Mailer. Acreditar que será possível viver outras vidas além dessa é sempre consolo e esperança para quem se deixa seduzir pela idéia da imortalidade e não se sente plenamente realizado nessa existência.
Outro aspecto do budismo que o torna tão palatável no Ocidente é a sua adequação a qualquer tendência religiosa. Pode-se ser católico ou protestante e abraçar o budismo como disciplina mental e espiritual, sem conflitos. Mesclar diferentes tradições religiosas   é uma tendência crescente para quem respira a ideologia pós-moderna do individualismo exacerbado, segundo a qual cada um de nós pode ser seu próprio papa ou pastor, sem necessidade de referências objetivas.
Como método espiritual, o budismo é de grande riqueza, pois nos ensina a lidar, sem angústia, com o sofrimento; a limpar a mente de inquietações; a adotar atitudes éticas; a esvaziar o coração de vaidades e ambições desmedidas; a ir ao encontro do mais íntimo de nós mesmos, lá onde habita aquele Outro que funda a nossa verdadeira identidade.



Escrito por Arturo Alê às 23h10
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Tempo estanque

Eu transbordava de alegria

Ao teu sorriso, tua essência

Ao ilógico sentido de tua ciência

À sutil presença de sua alma

Que invadia a minha.

 

E por mais que transbordasse

A alegria não se esvaia,

purificada a essência,

menos lógica se traduzia.

almas se fundiam.

 

Havia nesse transe algo sem explicação,

Perpétua fonte de transbordamento

A mover o moinho de meus pensamentos.

 

Vida que não é apenas sorriso,

Um amor não se faz numa noite.

 

Se é que cessou,

Onde foi que tudo isto ocorreu?



Escrito por Arturo Alê às 19h06
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Retardo o sono para ouvir tuas estórias
Me fale dos amores que você causou,
inevitáveis suicídios, onde a angústia parou
Das trincheiras que tua lua acendeu.
 
 
Nas boemias onde vivem poetas,
Toque as músicas que você inspirou.
Te percebo caindo minha noite
Abraço seu perfume dolente,
Bebo de tua fonte insone.
 
Meu coração, via aberta de tuas estrelas,
Ressente a falta de um abraço amigo,
O abandono de certos carinhos,
O desconsolo de um amor antigo.
 
Você que pede um pouco mais de mim
a cada amanhecer tuas horas não vejo passar
Me conduza ao teu leito ardente,
Suas bruxas soltas, no pavio de uma lua à mingua.


Escrito por Arturo Alê às 03h31
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Haicai de Primavera

Nas podas deste jardim,
misturam-se secas, begônias, azaléias,
E entre galhos serrados, notas de sândalo e jasmin.

Se faz despedida ao fecharem-se os cortes.
Na morte o que resta é o choro dos caules,
E as Flores aguardam nova estação.

Coloridas formas,
Perfumam a madrugada.
As alimentam gotas de orvalho

Coloridas formas
todos os dias
Venham despir os meus olhos

Sob a janela o canteiro,
Inunda este recanto de aromas.
A cantar beija-flores sobrevoam.

Efêmeros campos
Que femininas aladas
Polinizam caladas

Coloridas formas,
Perfumam a madrugada.
As alimentam gotas de orvalho

Coloridas formas
todos os dias
Venham despir os meus olhos.


Escrito por Arturo Alê às 14h18
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Partidas suas me deixam assim,

Como figura de Kurt Halsey.

Cabeça baixa, olhar longe,

Deixam o dia ruim.

 

Fotos e cartas antigas,

Melancólico abandono

Presencio você,

Em nossas prováveis cantigas.

 

Se não voltas logo, minha metade,

Percebo um espaço no céu,

Onde estaria a outra parte da Lua.

Sigo esse astro, até sua cidade.

 



Escrito por Arturo Alê às 19h45
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Quando sinto teu temperamento frio,
Cai a temperatura em meu amor
 
Como num passo de tango
Meu tangível coração
se arrasta em sua direção
E tudo o que você faz é a fuga dessa dança
 
Minha alma sente o calor de te amar
Enquanto você voa longe de meu verão.
 
Assisto nosso amor tombar em jazigo
Lapidado com palavras vazias
Junto morre em pensamento
Algo que eu possa dizer pra te trazer de volta.
 
Silencio minha boca na indiferença de teus lábios.
Onde os beijos não alimentam nenhuma vontade.


Escrito por Arturo Alê às 04h21
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Às vezes parece que o mundo tá tomado de ácido
Ou são os dias em que Deus pisa com o pé errado,
E de súbito, Tsunami, Furacão, Fogo no Vulcão.
E lá vem o homem carregando suas neuroses.
Epidemia do medo, teoria do caos, 
Nas grandes cidades, vida sem calma,
Haja coronária pra aguentar essa correria,
Esse é o retrato do humano sem alma....
 
Depois eu termino de escrever...vou pra casa fugir um pouco disso tudo.


Escrito por Arturo Alê às 18h30
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Me empresta aí uma caneta
Hoje eu vou te escrever uma letra
Que fale de artes e sonhos.
Preciso soltar versos precisos,
Presos aqui dentro de mim.
Talvez sob o risco de errar a gramática,
Tempo, verbo ou lugar.
Mas nada vai me impedir de escrever
Que o pensamento é o maior poder.
Me arruma logo um papel,
um toco de lápis, um tijolo, ou carvão
Pra eu botar as idéias que circulam a cabeça,
Seja num esboço ou rabisco feito à mão.
Vou escrever na areia da praia,
Assistir o oceano traduzir estes versos.
Aqueles que falam do céu, aos poucos submersos.
Sereias e lendas,
Lidos agora como estrelas do mar.
Me descola o notebook, notepad,
Ou na parede anote o que eu dito,
Deixe expressar de alguma forma,
isso tudo que sinto,
Escrevo e não falo.
Faço da escrita a foto da fala.
Guardo pra sempre, 
o que se revela na mente, 
o que ainda está para ser.
Pra você ler num flagrante momento,
A beleza que existe em todo pensamento.


Escrito por Arturo Alê às 14h39
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Navegante Mulher

Vida minha, vide o verso

Mantenha limpa minh'alma,

Apesar de todo gesto inconfesso.

Essa rebeldia tardia e inconsequente

Que me faz de santa à delinquente.

 

Enquanto o tempo avançou,

Te busquei em caminhos incertos,

Não parei para olhar dentro de mim

E foi aí que você me encontrou.

 

Muito prazer minha vida,

Te adivinhar nessas paixões.

Como um novo ser que renasce

com os sabores na ponta da língua,

e os sentidos expostos na face.

 

O passado posto à termo

Dando adeus às mesas postas,

Pelo estado quase enfermo,

jamais civilizado,

De nunca alguém ao meu lado.

 

Pelo alívio em minhas costas

Dos poucos carinhos indigestos.

Incompletas noites, estrelas mortas.

 

Obrigada vida minha,

Volto agora à superfície da alma,

O quanto eu possa navegar.

Neste oceano em água calma,

Te viver, sabendo amar.



Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 20h03
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Palavras Cruzadas

Pode a Maizena
Desandar a Maionese
No momento onde a mente parafusa
Essas loucas Idéias confusas
Eu em Paris
Você Aparecida
Contudo nosso conteúdo
Continua Intacto.
E recorro ao recurso
de sua irrisória recompensa
Assim como a costura
Que se acostuma
Ao traço da agulha
Emendando uma rede
Criada na renda.
 
De onde se cria uma teia,
Se constrói um telhado
Uma casa, um castelo
Cuidando que a areia
não o desmorone
 
Observo cartazes,
De falsas falas,
Falhas, falésias
Dizer algo é o que importa
Até que a falência,
dos múltiplos sentidos,
não mais contenha
o último pulsar,
E terás meu coração à ti,
Voando pelo céu da tua boca.


Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 17h15
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Ser pequeno

Pequeno ser,

pulsando aceleradas batidas

no ventre de nosso amor

olhos pequenos, abertos ao mundo.

 

Pequena força de nossas metades,

não se recolha ao chorar,

mostre suas vontades

venha com a gente brincar.

 

Bem vindo ser, nada ainda,

Seus contornos, nossas misturas.

Pular e correr, aventuras,

Rir de suas travessuras.

 

Quem eu amo te oferece o seio,

sua vontade traduz.

Receba o alimento, encontre essa luz.

Sinos da igreja tocaram,

sonhe com anjos amigos,

Da leve nuvem branca,

de onde veio você.

Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 18h45
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Vertigem

Entregue meu coração ao primeiro que passar.
Se ele já não bate em tua mão,
Deixando meu peito assim como um vão,
Em nada vale este desencontrado amor continuar
Nada ouvi do som de seu pranto,
então me vi sozinha, abraçando sua alma vazia.
Olhos que as luzes atingem, nenhuma beleza,
Cerrados pela incontrolável vertigem de sua frieza.
Caindo agora de uma nuvem desfeita,
Me desfaço de ti, poço sem fundo
Solto a direção de meu mundo
E encontro nas fendas a ferida refeita
Desrespeito suas crenças,
Curo minhas doenças,
Volto a ser anjo e a brincar com crianças

Recrio meu mundo, longe de tuas lembranças.

Arturo Alessandro Dinardo, em memória de Miriam, onde ela estiver neste momento.



Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 14h47
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Ausência Indelicada

Um perfume de incenso invade todo o prédio,
Tal como esse silêncio, próprio do edifício.
Assim como faz você todas as noites,
Sem licença, invadindo minha cabeça.
 
Nesse momento só penso em tuas palavras,
Naquilo que sua voz causa em mim,
Na completa felicidade de nosso encontro.
 
Na janela procuro um pouco da lua,
Hoje tão ausente quanto a presença sua.
Mais fácil achar uma estrela incógnita,
Que o caminho quase impossível de seu carinhos.
 
A chuva caindo lá fora, melhora ao som de Piazzolla.
Vejo nosso abraço num filme preto e branco,
Repetidas vezes, minha mente, uma película.
 
As plantas já foram molhadas,
A tevê desligada e dois cigarros acessos.
Se durmo, os sonhos trazem seus beijos.
Incoerente é sonhar-te e ter meus braços vazios.
 
Seja razoável nesta falta.
a saudade que me causa tua ausência,
Anda fazendo meu mundo perder a cor.
 
Na eternidade desta noite,
O tempo se arrasta sem você.
Escondido nos versos um choro contido,
Na solidão, palavras que me dão abrigo.


Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 02h53
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Olhar você

Olhar você me desperta,

teus olhos profundos me ensinam quem eu não quero ser.

Queda d'agua, mata fechada

Suas noites são mais belas que meus dias

Por que é que a lua se apaga quando te vejo?

Sua estrada que não caminhei, agora é meu vazio

Por onde vagueiam as estrelas?

Funil de meus pensamentos, minha boca deseja a sua

Aqui dentro procuro um momento certo,

Mas o chão impede um movimento mais perto,

Só olhando você,

me chamando sem saber,

Que quero ser seu par,

Não apenas parceiro.

Quando um dia aparecer alguem pra você,

Te desejo que seja o mesmo que sinto,

E que este alguém saiba, como eu creio que sei,

Gostar do você, além do que gosto.



Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 15h24
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"Hora incerta"

 Nova letra do Duo Chá Pra 2
 
Já é noite e vejo sombras de pessoas que passam atrás de você,
Não somos mais crianças, mas confessar o coração nunca foi tão difícil.
Só apenas toco em teu rosto e me conforto em teu abraço.
Me conformo em te sorrir,  ouvindo a voz que sai de sua alma,
Às vezes coloridas, de verde e de azul. Vozes às vezes simplesmente.
 
Pessoas certas, talvez num outro tempo.
Onde queremos chegar não inventaram o lugar.
Na noite sombras me levam até seus olhos escuros,
Coloridas imagens refletem o que dizemos,
E aquela luz insiste em se apagar.
 
Sinto, não quero sair,
Colho estrelas enquanto dirijo,
Te ofereço cada uma,
Enquanto a noite permitir.
Me descontrolo de acordo com a lua.
 
Querendo entrar tão cedo
o sol me acorda desse jeito sutil,
Eu ainda pensando sonhando,
No que você me disse ontem.
Em sermos diferentes,
Se vivêssemos isso antes.


Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 18h47
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Amor onde vou

Não me ame disfarçada
É minha culpa eu confesso
Mas não confunda minha mente
Naquilo que chamamos amor
 
Você me pergunta onde vou
Que direção vou tomar
Nem parece às vezes, que somos um par
 
Eu estou no palco,
Enquanto você está no ar
E eu me pergunto
Onde estão nossas crianças¿
 
Se eu não te amasse
Talvez eu entendesse
Mas o que sinto é maior que a razão
E eu me pergunto
Onde está seu coração¿
 
Às vezes acordo à noite
E te observo dormindo
E na beleza do que vejo
Me pergunto se você
Sabe o quanto a desejo¿
 
É muito mais que amizade,
O amor é raro para ser dispensado,
Pra gente é a vida inteira
E eu me pergunto
Onde estão nossos planos¿
 
E se todas essas perguntas
Já não te fazem sentido,
Eu perdi algo no caminho.
 
Então fecho a porta com cuidado
Me perguntando
Onde foi parar aquela pessoa
Que tanto choro,
Que tanto amo,
Que tanto me faz viver.


Escrito por Arturo Alessandro Dinardo às 17h21
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Tea for Two

 É tão concreta a solidão que poderia cortá-la em doze pedaços e saciar a
fome do mundo dos felizes e amados. Parede alta e espessa, túmulo caiado. Do
outro lado do muro, todo o fruto desejável. Viver é uma arte, seu pai dizia.
L'art de mise en scène, sua mãe calava.


Ela se banha, se empoa, não esquece o perfume suave. Veste o traje colorido,
ajeita os cabelos em cachos.
Prepara o chá e os brioches, dispondo-os sobre a toalha branca e rendada. No
centro, um vaso de hibiscos azuis trazendo à mesa um mar de julho e um
retalho de um lenço de cambraia.
A brisa toca as folhas e um acalanto se desprende de um galho. A felicidade
ressoa no terraço.
Toma uma xícara, de fina e alva porcelana, e serve. Em seguida, oferece num
gesto delicado. Espero que esteja a gosto. O morno do sorriso agradecido
embaça a baixela de prata. Brioches?
A cada oferta acompanha um leve toque à guisa de chocolate mentolado.
Como foi o dia? Entre linhas, goles e nacos, ocultas em cada frase,
delicadas porções de afeto e recato. Um pouco mais de chá?
Por descuido, uma gota escorre do canto dos lábios e dá à renda um tom
rosado. Dentre as dobras da tolha, descobrem-se possibilidades.
Antes que se esvazie a xícara, num engano tantas vezes ensaiado, trocam-se
os guardanapos. Acontece, enfim, o beijo desejado. No ar espalha-se o buquê
do inefável. Ela cerra os olhos, aspira longamente e degusta cada graça
revelada.
Gosta de tomar chá assim, diante do espelho e às cinco da tarde.



Escrito por Piu às 04h44
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Na Tua

"Na tua"

Tatua tua voz em meus ouvidos.
Tateia esse sonho, como uma fruta colhida no pé.

Os dias trazem a vontade de te escutar e nossas brincadeiras em volta dos sons.
 
Tatua tua visão em meus olhos.
Tateia a verdade, como criança que aprende a ler.
Sigo teu movimento, correndo em torno do sol. Em teu solo sou uma espécie de espelho.
 
Tatua tua idéia em minha cabeça.
Tateia esse astral, como avião cortando as nuvens.
Te observo na espiral girando em minha mente. Surpreendente sincronia, provável sinfonia.
 
Sonhos, verdades Astrais
Ouvido, olhos, cabeças,
Vozes, idéias, visões
Nunca deixe que se apaguem, os teus traços feitos em mim.
Signos intactos. Nosso regente, dizendo para ir adiante.


Escrito por Piu às 02h59
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Astral

Entrego-me nas covas de tuas costas e sem tréguas te entrego um calvário de trevas.

Em tuas entranhas percorro um estranho caminho,

Entre olhares, estrelas

Em teus ouvidos cachoeiras,

Entrelaçados os dedos, vias, viagens,

estradas, pradarias, prazeres.

Cruzadas as pernas, caminhamos no espaço, alcançamos os astros, voltamos.

Teu Presente pára em minha boca.

Pressinto um beijo.

Seu cheiro vem de meu gosto, Teu gosto vem de minha língua.

Simples química, pura física, complexo desejo.

 

 



Escrito por Piu às 02h54
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De Coração

Não é nada fácil morar no coração de uma pessoa.

Primeiro é necessário uma chave. Em alguns casos a fechadura nasce emperrada, difícil de abrir. Então a solução é encontrar uma entrada, que  existe sempre nos fundos, lá onde uma alma necessita de outra, um abraço pede correspondência, um carinho é sempre bem vindo. Em outros casos, a chave escolhida não serve, então é preciso buscar uma nova no molho, até que se encontre a combinação perfeita, onde um estalo corresponde à abertura da porta.

Mas não basta só isso. Depois de entrar, é preciso cuidar da casa onde se vive. Regar as flores do jardim, que são as lembranças trazidas na memória. Varrer a poeira dos momentos difíceis, sem escondê-la debaixo do tapete. Deixar tudo limpo e claro é fundamental. Decore com seu próprio coração, cores leves, corações.

Com a casa arrumada, relaxe ouvindo uma música de ritmo constante, batendo a seu favor. Nunca deixe o som terminar, e procure sempre o volume adequado, seja de paixão, seja de amizade.

Mantenha as janelas deste lar sempre abertas, iluminando o coração onde se mora com a luz do sol para aquecê-lo e deixá-lo feliz. Com isso seja cuidadoso, mantendo o inverno longe das paredes do coração.

Nada de ciúmes, a ponto de não deixar que vizinhos observem o lar que você habita. Mostre a decoração e convide-os a entrar. Sua nova morada agradecerá e saberá sempre lhe retribuir.

Longos períodos de ausência, pedem cuidados especiais. Alguém pode supor que ali existe um coração abandonado.

Tarefa difícil é morar no coração de uma pessoa. Mas não existe lugar melhor pra se viver, que no coração de quem se quer bem.



Escrito por Piu às 02h41
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O Frango na mochila

A verdadeira história do Frango Atropelado.

Semana passada fui num restaurante bom, mas bom pra caramba. Sentei, olhei o cardápio e pedi um filet de frango à milanesa.

Meu, veio muita comida. Comi demais e não tive peito de encarar todo aquele peito de peito aberto. Bom, mandei embrulhar e pronto. Me devolveram o indefeso frangote numa sacolinha, embrulhado num papel.

Cheguei ao escritório, não tinha geladeira, então o quei fiz¿ Ah! Coloquei o pacote na mochila e boua!

Beleza, sexta feira, vou pra casa largo a mochila no carro, vou pra balada com a Adri, volto. Sábado vamos viajar, e a mochila no carro. Domingo, estaciona o carro no Sol, e mochila lá dentro! Segundona, acordo mal humorado, pego o carro, vou trabalhar. Chego no metrô, abro a mochila pra ler um livro e o que encontro é... não mais um moribundo alado, mas sim um Frango todo intelectualizado, lendo o livrinho da Florbela Espanca, e dizendo com estas mesmas palavras, o seguinte:

 - Por que abandonaste aquele que teu corpo alimenta, tua fome sacia e tua paixão aumenta¿

Não tive dúvida, emendei com:

 - Ó pobre ave, que o sabor à culinária empresta. Mil perdões se minha distração te fez aumentar a aflição. Mas veja agora as vantagens. Tu te tornaste poeta.

- Poeta o caralho seu filho da puta! Tu me deixou aqui trancado nessa merda o fim de semana inteiro e vem agora com essa de vantagem. Antes tivesse me comido naquela pocilga de restaurante onde me fritaram.

- Ah! Seu frango mal educado. Quer dizer que te fritaram e você ficou curtindo. Tô ligado que tu gostou de ficar dançando naquela frigideira fervendo. Tá pedindo confusão.

- Não. Peraí meu irmão! Não é bem assim.

A conversa segue durante todo o trajeto. Discussões filosóficas, acerca do abandono, abrandaram os ânimos do frango. Já na saída do metrô, retirei-o da mochila, pousando o embrulho na palma de minha mão aberta. Falávamos sobre diversos assuntos, e até do futebol, que nos trouxe a indagação sobre o por quê do fato dele, o frango, ser alvo de tantas discussões sobre este esporte, paixão nacional.

 - Ao meu ver, meu caro amigo, minha fama neste esporte bretão, deve-se ao fato de que os defensores da meta, aqueles que estão menos preparados, ou apenas situam-se em posição desprivilegiada, simplesmente não consegueriam nos vencer numa peleja direta.

- Sim concordo, mas você não acha que...

E de repente, uma freada. Levo um susto jogando para o alto meu mais novo companheiro de viagem. Ele sobe e desce em câmera lenta. Abre-se o farol. Tento de tudo para parar os carros, mas é em vão. Um fusca azul claro, ou o popular azul calcinha, placa NGK-0877, desce a ladeira, e em câmera mais lenta ainda, esmaga aquele extraordinário pedaço de bípede, frito na banha, com farinha de maizena, acrescentado de especiarias indianas e mostarda de Dijon...enfim, fazendo com que meu ex-almoço se transforme apenas num misto de asfalto e pneu corroído, sobre o montinho de papel. Que triste fim para algo que alimentou meu corpo, abrandou minha solidão num vagão de metrô e ainda no seu último suspiro, dedicou os melhores momentos da vida dele, aos derradeiro minutos em que esteve comigo.

 

Noooossa meu. Onde que eu tava com a cabeça quando vi tudo isso acontecer¿

Vou dormir. Isso foi o bastante por hoje. Olha, o resto do blog é sério tá. Tem algumas doideras, mas são reais. Se bem que tirando o lance da Florbela Espanca e os diálogos, o resto do frango é a pura verdade.

Believe or not!



Escrito por Piu às 00h46
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Humor apenas na dose certa.

Comedidas comédias, em doses homeopáticas e assim a vida reserva momentos hilários, os quais, se alcançarmos ainda cem anos, serão lembrados. São pequenos instantes em que damos risadas do próprio medo, da própria quase fatalidade e nos impulsionam a viver cada vez mais. Passado o sufoco, o alívio distribui doses de humor em nosso cérebro e deixamos a memória tomar conta do resto.

 



Escrito por Piu às 23h56
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Solitudine II

Hoje nada bebi, mas a lua embriaga meus pensamentos e ambições. Faltam GOTAS DE CHUVA nesta noite.

Nao vou derramar novamente a falta de almas gêmeas ao meu lado, hoje vou evitar o desastre.

À cada lágrima contornando as rugas de minha face, percebo escuridão se convertendo em luz, e todos os pensamentos se voltando à você, que é quem me faz sorrir, me faz amar e colore todos os meus dias, como ninguém jamais poderá um dia repetir. Por você, os vícios deixados de lado não passam de um mero esforço do corpo.

Venenos venerados em antigas gotas e exagerados goles, represavam positivas ondas de amor, e estão agora escondidos em altos armários de minha memória, onde não é possível alcançá-los. Encontrar um caminho óbvio, acertado ou que seja único e de permanência maior que esta noite, já não é mais meu desejo, já que são decorados os passos dessa estrada. Espero por ti aqui, sabendo que sua volta é nosso lar.

Ao teu lado não há mais busca. Quero estar pleno de consciência, e com a certeza que só você me leva ao céu e sempre me trará de volta.

A vida possui todo o sentido se te acompanho. Seja isto sensato ou surreal, abstrato ou concreto, descrito, ou criptografado. Sozinho nesta noite, ou acompanhado de sua alma, por toda a eternidade.

NO MAS SOLITUDINE! 

 

Alê,

(Escrevi a primeira versão, aqui mesmo em Fevereiro de 2004) Pra vocês verem como a cabeça dá voltas!



Escrito por Piu às 23h41
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Pra ti.

Esperei-te o dia todo e você não apareceu.

Na semana seguinte também aguardei, tanto que te sonhei.

Dias, meses e anos e a cada verão você não surgia.

Alternando pranto e saudade, entre chuvas e dias nublados,

Mil idéias explodiam, e planos desfeitos a nosso respeito.

Aos maus pensamentos sobre tua sina, nem vale a lembrança.

 

Mas agora esse seu aceno e o sopro da adolescência reapareceu.

O doce de teu sorriso preencheu minha semana.

Espero te rever e sei que será mais do que podemos segurar.

 

Nós ainda nada sabemos. O que a vida reserva, nada sabemos.

E desse nada saber, vem o gosto por mais vida.

 

Pra ti se assim o destino permitir, desejo o gosto doce, de um beijo que ficou na esperança de um dia ocorrer.

 

(Essa foi pra você, que me fez voltar no tempo!)

 

 

 



Escrito por Piu às 14h55
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Carta ao Bush.

Não era tarde e o mundo emudeceu. Diante de tanta beleza, um inferno brotou. A corrida é em vão, e logo o amargo do sal, do sangue e da morte se converte em silêncio, que se converte em dor, que se converte em choro, que termina em um lamento sem chão, sem fé nas coisas divinas e num sem fim de aborrecimento das crenças.

O Oriente amanheceu e todos descobriram que o humano é demasiado frágil, e a vida num segundo pode nos ser arrancada. Mas o humano também é demasiado humano, e contradições do bem e do mal vieram à tona logo após o assombro. A corrente de mãos dadas virou uma corrida contra o tempo e também a favor da auto-imagem. Ajudar ao próximo faz bem ao coração e garante votos, traz estatus e te torna nobre perante teus eleitores.

Ao me deparar que a velocidade das mortes é inversamente proporcional à velocidade de tua proatividade em relação ao assunto, fiquei me questionando se esta ajuda (a sua em específico) seria realmente necessária a este ponto. Me questiono, de onde é que vem tua arrogância em achar que o mundo precisa de teus favores. Quem são aqueles que lutam ao teu lado, senão hóspedes da ignorância, que você insiste em aplacar contra o mundo, mais particularmente ao mundo muçulmano¿

Quantos Tsunamis serão necessários para que você entenda quais são os verdadeiros desejos do mundo, do teu mundo, do mundo que rodeia esse teu país tão magnífico e absoluto¿

Solidariedade forçada é o mesmo que esmola disfarçada, assim como essa democracia imposta, que vem se convertendo numa ditadura às avessas.

Todos repararam a sua falta de atitude e enquanto você brincava de guerra, o mundo se deu as mãos.

Obrigado, mas você chegou tarde, e fazendo feio. Recolha seu arsenal de brinquedo em outras ilhas. O Hawaii quem sabe um dia precise.

Arturo Alessandro Dinardo

Em memória aos mais de 250 mil humanos mortos, num dia em que a natureza acordou mal humorada.

 

Janeiro, 2005

 



Escrito por Piu às 02h21
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Mulher Brasileira

A simetria de teu rosto desconcerta modelos em todos os cantos.
Na Espanha encena a força de Madrid e nos esconde os mistérios de Bilbao,
Na Itália, Pisa ainda resiste, mas Milão cai à teus pés,
Em New York desfilam suas pernas, gêmeas torres. Beleza onde outrora se via o caos
Na Grécia escondam-se Vênus e Helenas, os monumentos são à tua homenagem.
Em Paris o Senna espelha sua face, onde deslizam duas canoas, iluminadas pelo brilho da vida que conduz teus olhos.  Enquanto te navego, não me canso do que aprecio.
Tua beleza é para poucos e não demonstra os segredos que escondes por dentro.
Intocável não por fragilidade, e sim pela grandeza.
Não corresponda a mim.
Corresponda ao mundo, que te agradece por simplesmente existir.
No Brasil, são tuas as Esmeraldas de Minas,
Brilha o sol no Nordeste apenas para te bronzear,
Nos Morros se ouvem sambas, dos sambas se descortinam as letras, nas letras poesias,
Nas letras deste poema, deleita minha homenagem.


Escrito por Piu às 12h56
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Geléia Geral

Utopia
Luís Eustáquio Soares
No nada do nada deste nada, o rico é nuvem de nadas e tem nadadeiras de ventanias a compor o concerto das formas de vozes, de caras, de risos, de trapaças, de gestos e de requintes de andar e de falar, de vestir e de fingir , suas poliglotas ilhotas, de modos de ficar em si, em volta das revoltas soltas, as que trazem e comprazem e refazem a memória viva da nave louca de haver ovo, de haver polvo, de existir planetas, estrelas, asteróides, cometas, lunetas, sonetos, rãs, peixes, cobras, pássaros, matas, morte, norte, e a menina agora que agoura o rico como inversão de seu platonismo de cinismo, com seus sonhos africanos de tribos, de festas, pois sua religiosidade de antigas novidades, de totens sem tabus, em metamorfoses de bichogentes ou de fitogentes ou de orelhas que olham, de olhos que provam, de músicas que riem, ou de abraços que, sendo na mãe, já é no pai, que já é na árvore, que já é no primeiro último antepassado javalítico, na nítida lítica pedra paleoneolítica, a menina africana é o cosmo todo em relação à pequenez, à ilhez do rico, e com seu sonho primitivo, não punitivo, tecido de insuperáveis recursos de infinitivos plásticos desdobramentos afetivos, de ser e de estar, de acontecer e de amar, de tecer e de louvar, de nascer e de, como asas, voar nos sonhos do olhar através das janelas dos seus dois leques de cílios, a pestanejar e a adejar e a viajar, um pajem, ela é o eterno retorno mineral, almal e corporal da página visceral do sideral único e disperso e manifesto sagrado profano encontro do diverso , sendo o segredo da episteme de existir e de resistir e de sentir, ela é texto da textura da multiplicação da ação cristã dos peixes e dos pães, e seu mundo é o milagre de haver o rico, que é o pesadelo, o desvio de rumo, do sonho de mares e de rios de peixes, ou de alquímicos fornos de massas de pães, dentro dos úteros das mães de viver outras fortunas, afetivas luxúrias, sufocando-as e enforcando-as e afogando-as, o rico, com suas usinas de ilhas, pois o rico é o mais emparedado dos entes, o mais prisioneiro dos presos deste planeta, o mais miserável entre os miseráveis, nele o filete do bilhete das nascentes dos esgotos de morrer e de matar destila o veneno da solidão, da podridão, da auto-ilusão, do império nefasto da razão da desrazão, sendo a extensão existencial de haver finito, de haver morte, de haver angústia nos olhos do tempo e depressão no coração de toda emoção, por isso que, no tudo do tudo deste tudo, o pobre, estrela em si o brilho que corisca da exuberância, da extravagância, do exibicionismo, do desperdício, do rico, e, sendo o rico naquilo em que o rico é miseravelmente pobre, o pobre reflete no espelho dos sonhos, não o existir cínico exclusivista, dos poucos, no rico, mas a força utópica do que, para o rico, é impossível: o afeto das carências que o pobre traz em si é a fome de um gozo solidário de um sexo fabulário num amor imaginário em que a alegria deste corporário, o encontrário, é o almário delírio de um mundo em que cada qual é mais qual quanto mais vau , quanto mais ao léu, quanto mais por aí, fora de si, podendo ouvir, olhar, degustar, pensar, trepar, tocar, sorrir, saudar, banquetear, relacionar, e aparecer como essência floral, mineral, animal, ao infinito, agora sem o rico e sem o pobre, num outro lugar e num outro tempo, nestes outros moleculares, celulares, incrustados nos olhares dos altares, a inventar-se louvores de árvores e de amores, de lares abertos por horizontais cachoeiras de zoeiras. Esta coluna é uma homenagem a Torquato Neto que, nos anos 70, publicava suas geléias Luís Eustáquio Soares é poeta e escritor, professor de literatura brasileira da Universidade Fedederal do Espírito Santo

Escrito por Piu às 22h15
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Como criar uma potência Olímpica.

Como criar uma potência Olímpica.

Quem olha à primeira vista no quadro de medalhas de Athenas, imagina que somos uma potência olímpica nas Américas. No continente estamos em segundo lugar, atrás apenas dos EUA, e na frente de Canadá e Cuba, países com tradição nos esportes.

Mas a realidade dentro dos estádios, e demais locais de competição é outra.

Ainda não vou bater na mesma tecla da falta de apoio ao esporte brasileiro. Isto é um defeito que temos de corrigir no momento de escolha de nossas lideranças, mas vou deixar isto para mais adiante.

O que se notou em Sidney e vem se repetindo em Athenas, é uma tendência ao conformismo, que vem tomando forma de uma síndrome da vice liderança, e também de terceiros, quartos e quintos lugares. Será que a influência de Rubens Barrichello, está saindo da Fórmula 1 e se alastrando nos demais esportes? Espero que não.

Na maioria das categorias disputada, o Brasil apresentou uma boa campanha, esteve presente nas semi-finais ou até mesmo nas finais, mas no momento do tudo ou nada da decisão, ocorre uma pequena falha, um escorregão, falta um sopro de vento, vem uma pisada na bola, ou na linha, um refugo (Até cavalo sofre desse mal!!!) e o resultado final é uma amarelada, que nada se compara ao ouro de um tão sonhado primeiro lugar.

A única justificativa aceitável vem de Daiane, nossa maior esperança de medalha, que admitiu o erro de arriscar-se numa performance espetacular, ao invés de realizar uma apresentação regular e faturar a medalha de ouro. Neste caso, o quinto lugar obviamente teve seus méritos, pois ela colocou o Brasil definitivamente no circuito de um dos esportes mais difíceis da Olimpíada, e perpetuou seu nome em dois saltos de execução quase impossível. O Duplo Twist Esticado e o Duplo Twist Carpado viraram simplesmente o "Dos Santos" na Ginástica Artística.

Nos demais esportes, a pane da reta final é generalizada. Lendo as entrevistas e discutindo com outras pessoas, concorda-se que há pouca ou nenhuma confiança em si próprio. A força e o talento existem, mas a garra desaparece diante de certa fraqueza psicológica, impedindo alguns atletas de subirem ao pódio.

Mas o que lhes falta afinal?

Tudo o que um atleta almeja é o reconhecimento pelo seu trabalho e dedicação. Reconhecimento em termos de críticas construtivas e, claro, financeiro. Dificilmente alguém representa bem sua categoria, se no meio do caminho passa por dificuldades financeiras, e no caso do esporte brasileiro isto ocorre com frequência.

Não se recebe apoio suficiente dos órgãos responsáveis, que deixam de cumprir seu papel de socializar o esporte. Faltam treinadores capacitados e locais adequados para a prática esportiva. E principalmente, isto é fato, a torcida que só se lembra de algum esportista quando este começa a ganhar competições importantes, e mesmo assim, tempos depois vemos campeões sendo esquecidos. Ou vai me dizer que você por acaso sabe quem foi, e o que fez Ademar Ferreira da Silva, ou quem é o nosso atual representante no pentatlo moderno? Você que é antenado e chegou até aqui nesta leitura claro que sabe, mas a maioria da população desconhece nossos atletas.

No Brasil, pátria de chuteiras, com algumas restrições à Fórmula 1 e ao Vôlei, parece que os outros esportes existem apenas durante as olimpíadas. Atletas ficam quatro anos escondidos, alternando o tempo que deveriam dedicar-se ao trabalho esportivo, com algum outro tipo de trabalho, pois o salário que recebem por nos representar lá fora, sequer os alimenta. Enquanto isso, a mídia se especializa em aumentar a popularidade do Futebol.

Enquanto isso, os governos se preocupam em trazer as olimpíadas ao Brasil. Antes, deveriam perceber que levar o Brasil às olimpíadas, com sua força, talento, crédito e apoio financeiro, consequentemente trará mais chances de nos tornarmos sede de uma competição de nível mundial.

É neste sentido que deveríamos torcer, e no momento da escolha, optarmos por líderes que estejam voltados em trazer a educação esportiva para mais perto do povo, criando em cada localidade a confiança e a garra tão necessária ao sucesso de nosso atletas.

Somente assim a inconveniente Síndrome do Segundo lugar desaparecerá, dando lugar à uma saudável mania de colecionarmos medalhas.

Faça sua parte no Esporte: Pratique, incentive e dê apoio!

Um abraço!

Arturo Alessandro Dinardo



Escrito por Piu às 12h15
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Omelete de Poesia

Escolhi a poesia mais bela, e de forma bem singela bati suas letras numa tigela.
Parti um verso que tu seguias lendo, e assim aos poucos, eram apenas letras escorrendo.
Lápis no apontador, separei as palavras de dor, e incluí aquelas que só falam de amor.
Então de Drummond à Vinícius, Bati todos os vícios, Que não fossem de linguagem,
Mas lhes coubessem justa homenagem.
Devagar em fogo brando, o conteúdo fui escaldando.
Das rimas e sentenças, Quadras e reticências, Contrariando todas as ciências, nova receita foi se criando.
Omelete de Poesia, Melhor que doce de ambrosia.



Escrito por Piu às 02h47
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Aderbal, o Paranormal.

Sujeito estranho era o Aderbal . Todas as tardes no Bar do Grilo sentava-se à mesa de dominó e ficava adivinhando as pedras de seus adversários. Não havia quem ganhasse daquele careca, de barba comprida e óculos com aro de tartaruga no meio do nariz. Ao andar cambaleava, tropeçando em si, antes mesmo dos primeiros goles de álcool.

Sua chegada parecia uma eternidade até que alcançasse o balcão. Na voz fanhosa existia uma interminável gagueira, e a profunda olheira completava a figura singular de Aderbal. Apesar de ser amigo de todos, deixava claro que o conhaque sempre foi seu melhor amigo. E era assim que ele pedia sua bebida preferida:

 - Gri gri grilo. Mmme vevvê aaaaquele co coco conhaque nonono cacacacapricho!

Para tomá-lo fazia uma espécie de ritual. Deveria ser puro, com sal na borda do copo, cinco doses por dia, cinco doses por noite.

 - Nem mamais, nem memenos, dizia.

Apesar de bêbado Aderbal era metódico. Como todos naquele bar, ele também tinha motivos para beber e parece que era da bebida que surgia sua inspiração. Após sua dose diária, Aderbal começava a estremecer feito louco. Neste momento o bar ficava, senão sóbrio, pelo menos sério, e assistia incrédulo à sessão de previsões do Aderbal, o paranormal.

Sua face transfigurada - se já era feio imaginem que horrível ficava – botava medo até nos mais valentões. Então ele começava a dizer o que iria acontecer com cada um à sua volta. Falava tudo e não errava uma. Sempre com sua inseparável gagueira que até dava nos nervos.

Naqueles momentos todos faziam perguntas, e as pessoas do local se baseavam em Aderbal para tudo o que planejavam fazer. À uma certa altura já era chamado de “O guru bêbado do Bar do Grilo.”

       - Convida ela pra sair que o Aderbal garante!

       - Aposta no macaco que o Aderbal falou que é na cabeça!

Era assim mesmo. O bar parecia consultório de pai de santo, e o Grilo ficava contente à beça com o movimento. Aderbal era uma instituição naquele boteco, tanto que nem precisava pagar a conta.

Durante quinze anos era a mesma coisa, até que Aderbal sumiu, sem dar satisfação. Alguns dizem que ele tirou a barba, parou de gaguejar e até casou-se, mas ninguém nunca soube realmente que fim teve Aderbal, o paranormal.

Com isso o Bar do Grilo já não era mais o mesmo, o que obrigou o coitado a fechar as portas e morar de favor com os parentes. - Isto aquele ingrato do Aderbal não previu, reclamava o Grilo a todo o instante.

 

É claro que você deve estar se perguntando:

- Mas afinal, onde é que se meteu o Aderbal?

 

E eu te respondo:

- Neneneenm tte te coconto!



Escrito por Piu às 12h10
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Venha ver o Por do Sol...Lygia Fagundes Teles... Conheci a Lygia neste livro e simplesmente nao me separei mais dela...Leia Lygia e veja este por de sol maravilhoso, capturado na cidade de Nice, sur de France, Abril 2003.

Escrito por Piu às 23h11
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Solitudine

Hoje tomei 3 cervejas, 1 pinga e infinitas GOTAS DE CHUVA... Nao era para derramar toda essa falta de alguma pessoa em cima de vocês, mas hoje não pude evitar o desastre.

A cada gole de chuva em meu rosto, ou pingo de cerveja em meu copo, minha alma se abre, e todos os sentidos caminham em apenas um ponto convexo e infinito de mim mesmo, como se esta chuva adiantasse lavar o que está errado, como se o vício corrigisse a abertura que deixei.

Não é por causa do veneno escondido nessas gotas e goles, e sim por que existe uma certa fúria represada em meus músculos, dentes e face, onde ainda não é possível encontrar um caminho óbvio, acertado ou que seja único e de permanência maior que esta noite.

Então a rua se torna meu possível lar, chego em uma ladeira que se arrasta aos meus pés, e toda essa busca pela falta de consciência me leva ao céu, num alto morro, onde posso encontrar energia que me traga de volta.

Mas de nada isto adianta se logo em seguida ocorre um desfacelamento de todo o meu corpo e múltiplos pedaços de meu cérebro se espalham pela sala de estar.

POR QUE PROCURAR pelo sentido da vida, se a vida nao possui sentido algum neste momento? Nessas circunstâncias, ou encruzilhadas, se queiram assim chamar, é onde o sensato se torna surreal e o abstrato traduz outra infinidade de situções que muitas vezes nós os humanos somos incapazes de descrever.

Talvez algum filósofo perdido nesta noite, consiga tradução fácil ao que tudo isto quer dizer...

S O L I T U D I N E

 

Alê,

Fevereiro, 20004 Reeditado em Janeiro de 2005



Escrito por Piu às 22h44
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O Homem Moderno x O Homem Pré-Histórico. (A Mulher também)

Você internauta casado, que está aí sentado de cueca na cadeira, lendo este blog, de repente escuta a sua mulher lhe chamando com insistência ( lá pela quinta vez): - Fulano, se você não vier almoçar agora eu jogo tudo fora e você que se vire com a pizza! Posso supor o que lhe passa na cabeça neste momento: - Mas que droga. Por que eu tinha que me casar com ela? Justo ela. Eu merecia algo melhor, como a Feiticeira, como a Tiazinha, como a Carla Perez, como a... ...Ó benzinho, vem comer !!! E o que pensará, caso seja uma leitora. Ficar horas suando na cozinha para preparar o almoço de Domingo, enquanto o babaca se diverte com pornografia na internet (de cueca na cadeira), não eh mole não. - Bem que a mamãe já dizia. Eu merecia algo bem melhor. Já pensou o Luciano Sashafir aqui na minha cozinha? Ai meu Deus que calor!!!! Agora imagine se ambos vivessem na pré história e não houvesse uma opção melhor. Pensando por este lado as coisas poderiam ser bem piores. Foi com base nisso que consultei minhas raridades históricas e elaborei um pequeno estudo, definindo como eram os relacionamentos na idade da pedra lascada, e espero que goste do que vai ler a seguir. Homens e mulheres sempre tiveram problemas conjugais, só que naquela época as discussões eram provocadas por assuntos que pouco importavam, pois o objetivo era apenas SEXO, SEXO e mais, SEXO - para sobrevivência da espécie, é claro!!! Assim os relacionamentos duravam bem menos que os de hoje. Também, já pensou agüentar aquelas mulheres peludas, cabeludas e dentuças durante anos? E aqueles homens sem desodorante, mais pareciam carregar um urubu em cada braço. Na hora do beijo - se é que existia beijo - era um momento único. Único porque um dos dois sempre confundia canibalismo com reprodução e matava o outro na base da mordida. Um fato que prevalece até os dias de hoje: Já na Pré-história as crises de TPM deixavam as mulheres Pré-histéricas, só que elas não sabiam o motivo. Isto as levava ao combate mortal com tudo o que viesse pela frente. É por esta razão que os arqueólogos sempre encontram crânios totalmente despedaçados em suas escavações. Para conquistar uma mulher, o homem deveria matar uma dezena de outros homens, bem menos machos do que ele se considerava. Isto provava que sua força física era inversamente proporcional à sua força mental - fato que as mulheres adoravam e algumas continuam adorando mesmo nos dias de hoje. Para levar sua conquista para a cama - se é que existia cama - o homem dava uma pancada na cabeça da “amada” e a arrastava pelos cabelos até a caverna mais próxima. Este fato deu origem às fábricas de xampus e tônicos capilares, além de uma das desculpas mais tradicionais usada até hoje pelas mulheres: Ai amor, agora não vai dar porque eu tô com uma dor de cabeça! Desde aquela época as mulheres eram muito reprimidas pelos maridos. O pior é que quando o casal brigava, a mulher sequer podia dizer: - Chega! Estou indo para a casa da mamãe!!! - simplesmente não havia uma definição de família como temos hoje. Era também por este motivo que os filhos não seguravam o casamento, como acontece com muita gente boa hoje em dia. É claro que já existia o famoso “mamãe papai”, só que em outro sentido. Não, o sentido era o mesmo, mas... Bem, deixa pra lá. Como não existia bar e muito menos o futebol, os homens procuravam outro tipo de diversão. Caçar javalis, bisões, mastodontes, pterodátilos, além de fugir de dinossauros eram os passatempos preferidos nas tardes de domingo. Aliás, parece que todos os dias eram tardes de domingo naquela época. Pessoalzinho mais folgado, hein! O negócio era sexo e diversão. Apesar disto, existem relatos de que já havia um pouco daquilo que hoje chamamos de amor. Os jovens casais se abraçavam, namoravam no banco da praça e catavam piolhos na cabeça um do outro. Era lindo de se ver. Com o passar dos tempos muita coisa mudou e os relacionamentos evoluíram, ficaram mais calmos e compreensíveis, comparados aos da pré-história. O homem de hoje consegue entender por exemplo, que quando a mulher solicita seu cartão de crédito ela não vai passar muito acima do limite. Por sua vez, a esposa faz o possível para entender que ele sempre se atrasa porque a pista da marginal tava cheia de água. - além dos diversos motéis ali instalados. Na sua próxima discussão com a (o) patrão (troa), lembre-se do tempo em que vivíamos sob as luzes das tochas, dentro de cavernas escuras e nem sempre com calor aconchegante do ser amado. (Óh, que romântico !) Pense bem e trate de agir logo, ou seja: “Tire essa sua bunda suja do sofá e faça alguma coisa para alegrar seu relacionamento, ou do contrário o dinossauro que te assombra hoje, é o mesmo que um dia vai te engolir.”

Escrito por Piu às 00h16
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A primeira cerveja a gente nunca esquece.

Durante boa parte de minha infância eu tinha uma grande vontade de ser padre. Achava bonita aquela imagem de homem bom que os padres costumam passar e decidi: - Serei padre e quando crescer enfrentarei todos os obstáculos, as privações, vou controlar meus instintos, até tornar-me um verdadeiro pregador da fé... Claro que na adolescência comecei a apreciar mais um outro tipo de imagem. Aquela imagem de mulher boa que as menininhas do colégio costumam passar era IRRESISTÍVEL, então o desejo de infância ficou para trás e comecei minhas aventuras em busca de uma companheira gentil, carinhosa, fiel, que eu pudesse levar ao altar da igreja e se possível que tivesse uma cinturinha bem fina e as pernas bem grossas. Como resultado dessa busca contínua e desenfreada eu conheci uma loira da qual nunca me separei e estou até hoje. E é exatamente neste ponto que saio do assunto igreja para entrar no assunto cerveja. Esta adorável combinação de lúpulo, malte, cevada, cereal, que em excesso resultam numa miserável combinação de dor de cabeça e mal estar no dia seguinte, me leva a pensar se seria capaz o homem criar algo tão agradável quanto a cerveja. Seria: A fábrica de cervejas. Conheci a famosa loira numa festa de quinze anos. A primeira vez que eu provei achei o gosto estranho. Pensei, como pode alguém gostar disso? Depois fui me acostumando com aquele sabor, passei para o segundo copo, terceiro, daí em diante o gosto ficou tão maravilhoso que eu nem percebi que a festa havia acabado. Já no Primeiro porre, a primeira ressaca. A vantagem de se chegar em casa aos 15 anos neste estado de embriaguez é que a surra que você toma dos pais passa despercebida. Após este primeiro encontro, jurei que nunca mais iria botar aquele troço na boca e não deu outra. Na semana seguinte outra festa e lá estava a danada, trincando em cima da mesa. Resisti bravamente, até que a dona da casa me ofereceu um copo. Um copo só, que mal pode fazer? Mal sabia ela que o sucesso de sua festa estaria ameaçado a partir daquela inofensiva cerveja. Só sei da estória porque me contaram no dia seguinte. O bolo virou tapete e o resto dos convidados se encarregou de me expulsar dali sem a menor cerimônia. Antes deu tempo de dançar “macarena” em cima da mesa de doces, sendo mais curioso é que essa música nem existia naquela época. Após esta exibição pulei no colo da mãe da aniversariante e o beijo que lhe dei foi cinematográfico. A surra que tomei de seu marido também. Qualquer possibilidade de diálogo entre eu e aquele senhor seria impossível. Tentei me desculpar através da única frase que eu conseguia pronunciar. - Tchô fala! Posso Fala? Ó dissssculpa, tá? Os outros convidados se encarregaram de me eliminar da festa, sem grande esforço. Hoje, após alguns anos e tantos outros vexames posso dizer que aprendi a beber, mas como qualquer um não estou livre das ressacas. O bom mesmo é que ainda posso apreciar o gostinho bom, o sabor gelado e a irresistível tentação de um copo de cerveja, seja no verão, seja no inverno. Agora, se me dão licença... ...Amigo, desce uma loirinha aqui.

Escrito por Piu às 23h32
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O Violino.

Aquele som com notas dodecafônicas vinha do apartamento vizinho e incomodava terrivelmente Maria. O pior não seria continuar apenas uma noite e nem o som que era belo, e sim a coincidência de sê-lo todas as vezes em que ela se encontrava com seu grande amor, Aquino.

O apartamento ficava menor, quando de propósito o violino desafinava, desafiando o ouvido delicado daquela jovem mulher, mas ela não sabia o porquê da ousadia de seu colega de condomínio.

Questionava Maria, a causa de tamanha provocação - Será o ciúme de um amor em segredo? - Eu nunca vi esse cara em minha frente.

Esta noite não seria diferente. Aquino mal sai do elevador e o arco vibra sobre a primeira nota. Seus passos são acompanhados por uma seqüência de fusas, que de tão confusas já enlouquecem o visitante. Uma pausa semibreve é interrompida pelo som da campainha. Maria abre a porta e o beijo tem um som agudo, num compasso quase infinito. O casal entra e se tranca no apartamento. O volume cresce e as notas soam mais lentamente. Na sala de Maria já se imagina o que possa estar acontecendo e no violino o tom já se perdeu à três compassos atrás, juntamente com as roupas de Aquino.

Não existe silêncio no ar. Aquino, Maria e o violino formam uma sinfonia de sons estranhos vindos por todos os poros, por todas as cordas e por todas as frestas de portas, pernas e janelas.

Mas Aquino tem que partir na mesma velocidade com que chegou. Na despedida do casal, o som vai diminuindo, ficando mais triste. Onde se ouvia Vivaldi, Maria ouve Chopin e no corpo do violino escorre uma lágrima.

No momento o som e a solidão torturam Maria, fazem com que ela perca os sentidos e decidida bata à porta do vizinho. O som pára e a porta se abre lentamente. Maria entra na sala escura, sente uma mão tocá-la nos ombros e o arco do violino envolvendo seu pescoço. Sem tempo para reagir, Maria se entrega aos carinhos daquele estranho. Agora ela própria é a música, o violino e suas notas não dependem de cordas para sair. Uma sinfonia mais bela é ouvida por todo o edifício, durante horas seguidas, até que o estranho vizinho  se afasta, as luzes se acendem e Maria se vira para enfim o conhecer.

Na sala fria, apenas um violino encostado à cadeira e seu arco pousando sobre o corpo de Maria, lembrando a figura de um quadro renascentista.

Maria já não estava mais em si, pois sem dó o seu novo amante lhe abandonara. O sol brilhava seus primeiros raios. Lá, naquela sala a manhã anunciava uma nova primavera para Maria.

 


 

By: Piu

(Piu, Arturo, Alê, Alessandro e Bill são a mesma pessoa)



Escrito por Piu às 08h53
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Cores de Você

Dominar é manter o controle,

Quando se sente o medo

Estranho que te apavore.

 

Dormir sem estar errado

Dormir e sonhar

Dormi no ar

Vendo as cores que vêm de você

 

Agora não quero o passado,

Você como pretérito

É mais do que perfeita.

O estrago foi em vão.

 

Em sua vida

Você me pôs de volta

E como ela dá voltas

Não posso ir contra

A maré, nosso calor.

 

Vou te aceitar como foi antes,

Dizendo somos iguais,

Colorindo o branco e o amarelo

O amarelo e o preto

De outro soneto, que se fez canção

 

Você me domina enquanto te idolatro

Seu fascínio, luz de lua cheia.

Não me deixe escapar novamente

Meu amor é todo teu.

Meu amor, sou todo seu.


Alê - 28/01/2004

Escrito por Piu às 08h46
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Iniciando

Olá Humanos,

Tô iniciando agora esse blog e se você for curioso vai querer voltar aqui sempre. Tá, hoje não tô muito bem, porque atrasei tudo na minha vida.

 O horário de chegar, a reunião da manhã, a reunião da tarde...Aliás pra que tanta reunião? Tem coisa mais Humana que reunião? Hoje não quero reunião, quero estar só, dentro de meus pensamentos e idéias. Preciso crescer, expandir os horizontes e esse lugar aqui tá me deixando mal.

Tem um mosquito atrás de mim o tempo todo dizendo pra eu sair fora, mas o que acontece que eu não consigo?

Desse jeito vou apodrecer nessa cadeira!!!



Escrito por Piu às 13h31
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